sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Grito Urbano - O Artista, a Arte, o Lixo e o Mundo!

>> O Artista, a Arte, o Lixo e o Mundo!

Ser um artista de vanguarda que vive no interior significa acreditar sobreviver num cotidiano invisível, em si, na arte, no absurdo, no mundo, na poesia que ainda está pra nascer e mais: no potencial da arte como reveladora de uma dada realidade que precisa ser transformada. A sociedade contemporânea é caracterizada pelo “belo” padrão inventado, condicionado e imposto pela mídia consumista. Também responsável pelo o descarte, pela fragmentação, pela coisificação e individualização. Sentimentos e objetos são descartáveis, pessoas são tratadas como mais um, menos um ou o próximo problemático a ser atendido. Somos caracteres, simbolizados por letras, números ou quaisquer outros rabiscos. Esta miséria e a pobreza de espírito e financeira contribuem diretamente para a banalização do ser e da arte. O ser humano precisa precisar sim... de pensar, sentir, existir, chorar, sorrir, estar na arte, ser a própria arte e ser humano. Pra interagir com a mesma se entender e se completar no mundo.
O lixo é um fenômeno puramente humano, uma vez que na natureza não existe, pois tudo no ambiente agrega elementos de renovação e reconstrução do mesmo. Nesse contexto, o lixo pode ser encontrado no estado sólido, líquido e gasoso.
A realização deste projeto é muito importante, pois servirá de base para abordagens futuras sobre o tema.
O manuseio descompromissado de mãos inocentes transformando lixo, em obras primas capazes de transportar-nos para a essência da existência humana (Natureza) e infância que existe em cada um de nós. Só assim voltaremos a entender melhor as dificuldades desse cotidiano apressado.
O mundo em que vivemos está passando por grandes transformações climáticas, e a intervenção humana é a principal responsável por inúmeras catástrofes, como o efeito estufa, extinção de espécies, dentre outras. A necessidade de sensibilizar as pessoas se faz urgente, e nada mais natural que começar da criança, para que ela cresça consciente do seu papel de agente transformador do mundo que habita. A Arte-Educação vem como grande veículo formador de opiniões, tornando crítico aquele que se apropria de suas linguagens e que realiza, no fazer artístico, a prática tão necessária para essa transformação, atitude que se faz presente neste projeto, sendo assim trabalharemos com reciclagem e arte.
O presente projeto tenciona abordar questões referentes à produção excessiva de lixo pela sociedade, para tal, valer-se-á dos processos criativos inerentes ao fazer artístico.

(Wendell Amorim)


>> GRITOS URBANOS

Exposição contemporânea. Construída a partir de várias técnicas e estilos: arte conceitual, assemblagem, mosaico, pintura, ryade-made, colagens e fotografia.
A idéia surgiu de um bate-papo sobre o que dizer do comportamento sócio cultural do brasileiro. Neste primeiro momento apresentaremos a idéia nesta exposição.
O principal objetivo é fazer algumas intervenções nas cidades da região. Falar sobre o comportamento humano. Descobrir novos “gritos urbanos”. Tudo isso de forma objetiva e interativa.


>> Abertura da Exposição “Gritos Urbanos”

Artistas plásticos: Wendell Amorim e Cazoba

Dia 11/09/2009 - sexta-feira, 19h.
Local: Espaço Cultural Getúlio Vargas – Anexo da Câmara de Vereadores
Av. Marechal Castelo Branco, 104. Ed. APM – 3º andar – Campos Elíseos.

Visitação Pública: de 14 a 30 de setembro de 2009.
(de segunda a sexta-feira – das 13h às 17h)




>> Um pouco mais...

Wendell Amorim e eu nutrimos conceitos estéticos diametralmente opostos, contudo, a tensão advinda deste antagonismo a respeito da conceituação do belo é mais tênue que a força que aproxima nossa visão de mundo.
Concordo quando ele escreve que precisamos interagir com a arte e nos completarmos junto ao mundo, e vou adiante. Defendo que arte é arte apenas quando capaz de fazer a ligação objeto-observador, ou seja, a arte só é arte quando transmite um sentimento a quem a contempla.
Porém, como disse, estamos mais afinados no que se refere aos conceitos de mundo. A Arte de Wendell é um constante questionamento à cultura do supérfluo, ao descartável, à efemeridade do uso imposta pela sociedade industrial. Embalagens caras, que demorarão centenas de anos para serem decompostas têm a serventia de 10 ou 15 minutos, entre a compra do produto nos supermercados e seu descarte em casa. Minutos caríssimos para a sociedade, entupida de lixo e frivolidades industriais.
Por isso a importância de um movimento que veja o lixo como uma afronta ao bom senso, como um “grito urbano” silenciosamente ignorado. Minha relação com este pensamento atinge sintonia máxima quando Wendell diz: “a necessidade de sensibilizar as pessoas se faz urgente, e nada mais natural que começar com as crianças, para que elas cresçam conscientes do seu papel de agente transformador do mundo em que habitam.” Colocar a educação no centro das atenções para que as crianças se tornem seres mais conscientes que estes nos quais nos tornamos parece ser uma medida inteligente, ou no mínimo, coerente.
Mais que questionar ou elevar o belo, a arte de Wendell é capaz de afrontar a apatia mental e a inércia cerebral, e isso já é motivo mais que suficiente para comparecer na exposição Gritos Urbanos (que só pelo nome já deve ser respeitada) e compartilhar destas inquietações e tentar ouvir tais “gritos urbanos” são freqüentemente emudecidos.

(Washington Lemos)



Espero encontrar vcs lá dia 11...
Saudações infinitas...
Jenny Faulstich


Realização:
ONG Cultural Oito Deitado
Projeto Câmara Cultural

Nenhum comentário:

Postar um comentário