terça-feira, 29 de junho de 2010

Festa do Fogueirão na contramão da ecologia.

"Escrevi esse texto no ano passado e todos os anos em que eu ainda estiver com o Blog vou posta-lo novamente e acrescentar algo.

Este ano não consigo entender como uma festa tão ofensiva contra a natureza acontece em tempos de ecologia, de responsabilidade ecológica certificações que preservem a natureza tem o apoio da Prefeitura de Resende. A festa em si só incomoda aos moradores, mas a fogueira não existe explicação que seja plausível para a sua queima.

Se pegar fogo por acidente no meu sitio eu sou multado, se eu colocar fogo em folhas na rua eu sou multado, como é que queimam esse tanto de madeira e ninguém faz nada?

Tivemos a presença de alguns políticos da região privilegiando a festa com o chapéu na mão pedindo votos, estou esperando a confirmação de que no vídeo que um amigo fez tenha as imagens de todos eles para poder divulgar o vídeo e os nomes para que as pessoas possam avaliar se esses são de fato dignos de seus votos."

Em pleno século XXI, onde a conservação dos recursos naturais, a conservação das nascentes, vegetações ciliares, matas, florestas, o solo e tudo que é ligado ao meio ambiente, é a palavra de ordem para que se possa construir um futuro digno para a humanidade, ter na cidade que sediou a inauguração do primeiro parque nacional (Reserva Florestal) do país e tem uma natureza exuberante, ter em seu calendário de festas tradicionais uma festa nos moldes da festa do fogueirão é algo, no mínimo, para se chamar de contramão da evolução ou quem sabe contradição do que prega e cobra o poder público.
Pois o cidadão comum quando necessita remover uma árvore que causa risco para ele, sua família e às demais pessoas que transitam no raio dessa arvore, encontra uma grande resistência por parte dos órgãos de controle ambiental. Como pode um cidadão não conseguir retirar uma arvore, queimar um montinho de folhas, e meia dúzia de pessoas conseguirem cortar dezenas de árvores e queimá-las em praça pública? Iniciativas não faltam para que a festa deixe de existir ou. ao menos, tenha seus moldes repensados, e adequados para a realidade atual e ser mais bem organizada:
A organização da festa, além de se mostrar indiferente ao que ela representa em tempos de ecologia como um mau exemplo, não preza pelas pessoas que são prejudicadas com a festa, seja pelo som alto, seja pela criminalidade que cresce junto com a violência, seja com o o ato de impedir o livre direito de ir e vir dos cidadãos que ali moram no periodo em que a festa acontece. Este ano, por exemplo, após uma semana do termino da festa as madeiras (estacas) que davam suporte a madeira que foi queimada ainda estavam fincadas no meio da praça, colocando em risco a integridade física de crianças que brincavam no local, pais que, sentados na praça, observavam os filhos e transeuntes que desavisadamente faziam o trajeto cotidiano desconhecendo o risco por falta de bom senso dos organizadores que deveriam ter colocando um isolamento no local, até que fosse procedida a limpeza.
Nesta segunda feira, dia 03 de julho os restos da fogueira foram retirados, mas a sujeira por ela deixada não foi, coisa que vai acabar sobrando para os moradores que, além de não ganharem nada com a festa, a não ser dor de cabeça e noites mal dormidas, ainda têm que se preocupar com a limpeza do local. Que benefícios uma festa que causa tantos transtornos pode trazer à comunidade?
Que trabalho social essa festa alavanca? Quais comunidades ou entidades se beneficiam dos lucros por ela gerados, ou será essa uma festa política e de auto promoção dos organizadores? Nossa cidade já tem mais de 120 mil habitantes e estimativas dão conta de uma população flutuante com picos de 150 mil. Não podemos mais viver com a mentalidade de uma província. Onde um pequeno grupo toma decisões por todos, decisões essas que nem de longe representam a vontade, não da maioria mas das pessoas que são diretamente afetadas e têm suas rotinas diárias alteradas, por conta desses “mimos” que não se explicam. Proponho uma reflexão sobre o assunto, uma vez que se a Prefeitura não tem dinheiro para fazer a manutenção da cidade não deveria gastar dinheiro com festas desse tipo e sim buscar economizar para que a vida de todos nós seja melhorada.

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