quarta-feira, 28 de julho de 2010

Caso Bruno

Até que enfim, ouvi algo sensato desde que essa verdadeira tragédia Grega começou.

Estava zapeando por alguns canais de TV quando parei no Jô e vi que o convidado era o advogado e ex-ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos quem estava falando e que ao que parecia não era nada de política ou campanha política.

Vi finalmente alguém falando de forma simples e direta da corrupção da polícia, da mania de aparecer de alguns delegados, investigadores e promotores, da irresponsabilidade da imprensa em casos como o De Bruno, o do casal Nardoni entre outros da ajuda da impressa em casos como o de Rafael Mascarenhas filho da querida Cissa Guimarães. Durante a entrevista o criminalista ao se referir a casos onde a imprensa acaba por julgar e condenar os principais suspeitos ele afirmou que a Justiça não pode se deixar levar pela opinião pública, sob pena de ser injusta e acabar cometendo erros e que mais grave do que não condenar um criminoso é condenar um inocente.

O criminalista foi categórico ao apontar possíveis erros de investigação e a grande exposição dos representantes da lei que acabam por falarem demais e colocarem em risco todo o trabalho de investigação de um caso difícil como o de Bruno, ele também dissertou sobre a prisão preventiva, de que forma ela se dá e em que circunstancias, falou também sobre os intermináveis recursos que acabam por punir alguns com prisão imediata e outros que esperam todas as apelações e instancias possível antes de pagarem por seus crimes e de forma superficial colocou-se contra a prisão preventiva de Bruno e os demais envolvidos.

Vendo a entrevista, da forma que ele falou parece que soltos os envolvidos teriam maior possibilidade de acabarem dando mais informações para a polícia por meio de telefones grampeados e outros meios do que presos e orientados por seus advogados a não produzirem provas contra si mesmos.
Thomaz ainda indagou durante a maravilhosa entrevista:
“Meu maior medo com relação à opinião pública é que se cometam injustiças, pois o jurado já vai predisposto a condenar o réu”.
Lembrando um projeto de Código Penal no Brasil, de 1969, e que não está sendo aplicado atualmente, e que tornava crime a publicidade opressiva, ou seja, quando há pressão popular e midiática para o réu ser condenado.
"A Justiça precisa ter um pouco de calma antes de condenar alguém, porque condenar um inocente é tão grave quanto absolver um culpado”.
O advogado ainda criticou o circo que se monta na frente de delegacias, fóruns e locais de provas de crime de grande repercussão com a finalidade de execrar os presos, que foram julgados e condenados primeiro pela imprensa e depois pela opinião publica, além de abordarem a Lei Maria da Penha, evidenciando que ela é uma ferramenta de apoio e não uma lei como a do estatuto do desarmamento.
A entrevista foi maravilhosa, tanto o entrevistado quanto o entrevistador prestaram um verdadeiro serviço de utilidade publica para o Brasil. Parabéns Jô, parabéns Marcio Thomaz Bastos.

Um comentário:

  1. Nós brasileiros temos a melhor constituição do mundo, os melhores estatutos, as leis mais modernas, mas para serem obedecidas nos falta um poder judiciário a altura de aplicar as leis, um poder publico para fiscalizar tais leis, um povo que com educação e cultura para obedecer tais leis e finalmente políticos que tenham competência para dar ao povo saúde, educação e cultura para que o povo fique a altura das leis.

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