segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Saúde pública ou calamidade pública?

Antes de tudo gostaria de lembrar o juramento que fazem os formandos de medicina, retirado do texto original do Juramento de Hipócrates, considerado como pai da medicina:

"Prometo que ao exercer a arte de curar, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência.
Penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que me forem revelados, o que terei como preceito de honra.
Nunca me servirei da profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime.
Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze eu, para sempre, a minha vida e a minha arte, com boa reputação entre os homens.
Se o infringir ou dele afastar-me, suceda-me o contrário."


Pois bem, assistindo os jornais matinais dessa segunda feira dia 30 de agosto de 2010, deparei-me com duas notícias que são extremamente tristes e que abrem precedentes para o questionamento ético do exercício da medicina nos dias de hoje, uma vez que vemos que o acesso a saúde de qualidade é dado apenas para quem tem dinheiro.

Não bastasse isso ainda temos os problemas de omissões nos hospitais públicos, abandono, descaso e o principal; Médicos que estão ali apenas para cumprir tabela, preencher lacuna e não exercer na forma que um dia juraram a medicina.
O fantástico no dia 29 de agosto mostrou por meio da série do Dr. Drauzio Varella a falta de respeito dos médicos ao fazerem o atendimento a pacientes, que por sua vez descrentes com os médicos procuram alternativas para sentirem-se mais acolhidos, o que gera um problema de saúde publica ainda maior e abre espaço para os aproveitadores.

Por si só a matéria do Fantástico já seria motivo suficiente para um questionamento da ética na medicina e também da atitude protecionista e corporativista dos médicos e suas entidades representativas que mantém em seus quadros profissionais com centenas de reclamações, sob a alegação de falta de provas, neste caso acho que a palavra certa seria falta de investigação por parte dos conselhos.

Não obstante do que mostrou o Fantástico, nos noticiários do dia 30 de agosto, tanto os regionais como os nacionais dois casos chamaram a atenção, um no Rio onde os hospitais públicos não atenderam a todos os que procuraram por socorro e em SP uma criança morreu e os médicos tentaram esconder os verdadeiros motivos.

No final de semana, seja por falta de médicos, seja pela irresponsabilidade de alguns que faltam aos plantões a população do Rio fica desamparada ao procurar os serviços de saúde, segundo os principais jornais o problema não é algo isolado e sim generalizado pelo grande rio. Vejo essas noticias e vejo o nosso Governador e nosso presidente bem como sua candidata dizendo que a saúde nunca esteve tão bem.

“ Com a liberação das piadas sobre políticos agora essas afirmações passaram a fazer sentido, pois antes soavam como ironia e sarcasmo diante de uma interpelação.”

Já em SP alguns médicos adulteraram um atestado de óbito do recém-nascido que foi “perfurado pelo bisturi” durante o parto no domingo dia 29 de agosto de 2010. O fato ocorreu no Hospital Municipal de Campo Limpo. O bebê morreu uma hora após o parto, possivelmente pela gravidade do ferimento feito na parte dorsal do bebê pela medica que fez o parto, porém o fato foi assumido pelo responsável pelo grupo, o médico André Luís Veloso. Segundo familiares do bebê os médicos adulteraram a idade da mãe da criança para aumentar o risco de morte, além de alegarem que a criança nasceu com os batimentos fracos, o que teria sido apontado como a causa da morte.


“ a forma de tratar a família após o ocorrido, a adulteração do laudo e a conduta dos médicos são fatores determinantes para concluirmos que além de ser mentira a afirmação do governo federal de que o problema da a saúde no sudeste está resolvido, a coisa é bem pior do que parecia inicialmente, pois achávamos que os problemas eram por causa da falta de médicos e hospitais e estamos vendo que não é.”



Isso é uma verdadeira vergonha!

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