segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O que está por trás das invasões da USP?


Estive nos últimos ias envolvido em debater e tentar entender o que está acontecendo em torno da USP, o motivo inicial, o desenvolvimento dos acontecimentos, os lados envolvidos, as motivações de cada lado e tentando entender como pode tudo isso surgir após 3 alunos terem sidos pegos pela policia portanto, ou fumando maconha dentro do campus.

Inicialmente achei até cabível uma reação por parte dos alunos, em defenderem seus colegas de classe, embora atitudes corporativistas sejam perigosas para a sociedade, é sim compreensível, até porque após menos de 24h a posição do grupo foi revista, mesmo sendo um ato criminoso esse que insiste em acontecer no Brasil de invasões de propriedades e afronta a sociedade,  que atire a primeira pedra quem não cometeu nenhum ato repreensível enquanto estudante...

O que mais grita, chama a atenção nesse caso, é que logo após uma votação democrática, alguns alunos, que se dizem defensores de uma “causa” que prevê a administração participativa na USP, porém em momento nenhum explicam o que é essa administração participativa, além disso, acusam o reitor de ser corrupto, praticar nepotismo e ser um braço da repressão politica que perdura desde a extinta luta entre esquerda e direita da época da ditadura, e por esse motivo e agora já não mais para defenderem a liberação das drogas e nem os amigos que foram presos, resolveram invadir a reitoria, mas em momento nenhum tentaram negociar suas reivindicações de forma racional e educada, como se espera de um universitário que por prerrogativa deveriam ter respeito, inteligência e educação.

Fato é que desde o dia 27 de outubro de 2011, a sociedade e os pagadores de impostos desse país vem tentando entender o motivo ou motivos, que levaram esses 70 jovens a invadir a reitoria, pois os motivos da invasão do da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) estão bem claros, e não cabe qualquer interpretação é exatamente o que parece, no entanto os alunos após repensarem no absurdo que defendiam voltaram atrás.

Esse fato só é esclarecido na madrugada do dia 08, onze dias após o primeiro evento, quando os policiais da tropa de choque, atendendo uma determinação judicial, agiram de forma tradicional, como em qualquer outro processo de reintegração de posse com 400 homens invadiram a reitoria, prenderam os meliantes sem qualquer ato de violência como podemos ver, nos mais diversos vídeos que estão rolando nos veículos de comunicação, imprensa etc.

Mas esse desrespeito a ordem judicial a espera de uma invasão da policia, fica claro agora que foi premeditado, pois como explicar que logo em seguida a ação da policia um carro de som de um partido politico e manifestantes com camisas de outro aparecessem apresentando para a  imprensa uma suposta lista de exigências e reivindicações dos alunos agora presos. Esses por sua vez, não apresentaram nada, ouvidos separadamente se quer conseguiam descrever  o que seria liberdade! Mas a partir disso começaram a pipocar pela internet, e-mails, jornais e por todos os meios de comunicação duas versões para o mesmo fato:
A primeira visão é a que podemos ver nas TVs, jornais, relatos de todas as pessoas que acompanharam o desenrolar da questão e que deixa uma só conclusão. A de que esses alunos não agiram apenas em defesa da liberação de drogas, ou dos colegas presos, e sim em busca de atenção da sociedade e dos próprios alunos da USP, para que votem em candidatos de chapas montadas por pessoas ligadas a partidos políticos, movimentos sociais bancados pelo governo e grupos radicais de esquerda, nas próximas eleições do  Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP,  que está previsto para o fim desse mês.

A segunda visão não é tão fácil de conseguir entender, pois são várias frentes de esquerda querendo ganhar espaço no que eles chamam de “grande mídia”, contando a mesma história, mas com “detalhes” diferentes, todos eles de forma tendenciosa, pendendo para o lado ao qual defendem que fica difícil achar alguma verdade absoluta como impõe cada um de seus defensores. 

Fato é que as reivindicações, que por sinal são várias e até contraditórias umas com as outras, só apareceram após a ação da policia. Segundo alguns integrantes dessas frentes uma coisa não teve nada haver com a outra, alegam que os três jovens presos com maconha foram plantados no meio do movimento (não dizem que movimento é esse), para desmoralizar o mesmo, que segundo eles é o mesmo movimento de 2009, na ocasião uma manifestação dos professores e funcionários que lutavam por melhores salários, onde os alunos também se envolveram. Os lideres dos movimentos alegam que tudo o que vimos, nada tem haver com liberação de drogas ou com o trabalho da policia dentro e fora do campus e sim contra a falta de liberdade dos alunos, a falta de dialogo da faculdade, a falta de democracia no campus, a repressão da policia e do estado, além da falta de "democracia de esquerda", não satisfeitos acusam o reitor de crimes ainda da época da ditadura, nepotismo entre outros vários crimes. Procurei denuncias sobre esses crimes em delegacias e também no ministério publico e nada foi encontrado,  enfim apareceram reivindicações de todos os lados.

Aí fica a primeira pergunta, por que essas reivindicações não são feitas pelos alunos invasores e nem aparecem nos cartazes que eles empunhavam no ato da invasão?

Mas mesmo sem explicações plausíveis para apoiar o ato de vandalismo, a partir do dia 7, de novembro, como que um rastilho de pólvora mobilizou toda a esquerda radical brasileira, alegando que na USP, existem problemas internos e que seria por esse motivo a segunda manifestação, o que culminou em votação para greves gerais tanto de alunos, professores e funcionários da faculdade propondo até o absurdo de colocarem piquetes,  para evitar que haja expediente na Universidade.

Agora ainda mais próximos às eleições as vertentes desse movimento se apresentaram, são eles representantes de correntes radicais que lideraram a invasão da Reitoria, como a Liga Estratégia Revolucionária – Quarta Internacional (LER-QI), o Movimento da Negação da Negação (MNN) e os Partidos da Causa Operária (PCO) e Operário Revolucionário (POR) e alguns outros menores que também se juntaram ao grupo na defesa dos atos dentro da USP.

Ou seja, todo o prejuízo causado e toda a baderna feita, apenas para conseguirem espaço na mídia (que chamam de manipuladora, imperialista e até golpista) e tentarem da forma mais antidemocrática que se possa imaginar e de forma contraditória as próprias reivindicações, conseguirem cargos políticos de onde possam utiliza-los em favor dessa tal causa de esquerda e seus partidos, que infectam nossos jovens como um vírus mortal, onde os efeitos colaterais são a falta de bom senso, a perda da capacidade de raciocinar de forma autônoma, a desobediência às leis vigentes no país, sensação de serem pessoas diferenciadas e acima da lei, a arrogância de ofenderem  qualquer pessoa que não concorde com suas atitudes e rotularem a tudo e a todos e até o extremo ridículo de proclamarem a frase “ democracia de esquerda”.

O que mais preocupa é saber o que vem a ser essa tal democracia de esquerda, quando vejo na liderança do movimento filhos de famílias ricas, ou pessoas patrocinadas por entidades que deveriam ficar longe da politica e principalmente do poder. Já está na hora das autoridades tanto judiciais, quanto executivo e legislativo desse país começarem a se movimentar para que isso não vire uma revolta civil, pois lendo os jornais , blogs, sites que dão a direção para esses jovens alienados e inconsequentes a única conclusão a que se pode chegar é que planejam chegar ao poder em várias instancias, mas sem respeitarem as regras gerais as quais, todos nós cidadãos estamos subordinados, a única regra que respeitam de forma bovina são as próprias regras deles. ( Bovina neste caso é um plágio de uma expressão usada por um jornalista, ao descrever a ação de um grupo que se dirige a alguma direção, de forma complacente, assim como fazem os bois se dirigindo ao abatedouro).  

Esse texto não expressa a minha opinião, ou a opinião do Blog Resende, é tão somente o resumo de trechos de matérias lidas tanto na mídia convencional, quanto na mídia de esquerda que se diz representante da ‘outra´ parte da sociedade. 

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